Coreia do Sul: do K-drama à vida real numa viagem de sonho

Ana Bastos / Atualizado a

Uma viagem à Coreia do Sul pode começar pela curiosidade em torno dos K-dramas ou do K-pop, mas rapidamente se transforma em muito mais do que isso. Durante 12 dias, aventurámo-nos por quatro destinos muito diferentes entre si — Seul, Jeju, Busan e Gyeongju — e fomos descobrindo um país onde a tradição e a modernidade convivem de forma surpreendente.

Seul: a capital onde o passado e o futuro convivem lado a lado

Seul foi o ponto de partida desta viagem e, na nossa opinião, faz todo o sentido começar por aqui. A capital impressionou-nos logo à chegada pela forma como mistura grandes edifícios modernos com palácios e templos que continuam bem presentes no quotidiano da cidade.

Um dos momentos que mais aguardávamos era a experiência de vestir o hanbok, o traje tradicional coreano. E a verdade é que superou todas as expectativas. Ao usá-lo, sentimo-nos transportados para a época da Dinastia Joseon, como se estivéssemos dentro de um verdadeiro K-drama histórico. Caminhar pelas ruas com o hanbok vestido foi também uma forma muito especial de sentir a ligação com a cultura local.

Experiência de vestir o hanbok, o traje tradicional coreano.
Hanbok / Seul, Coreia do Sul / Foto Ana Bastos

Na nossa experiência, um dos melhores locais para viver este momento é o Palácio de Changdeokgung, onde a entrada é gratuita para quem veste traje tradicional. Além disso, entre palácios, templos budistas e espaços mais contemporâneos, como o Dongdaemun Design Plaza, Seul revela constantemente este contraste fascinante entre passado e presente.

Famosa estátua da indústria do K-Pop, inspirada no sucesso “Gangnam Style”.
Estátua da indústria do K-Pop, inspirada no sucesso “Gangnam Style” / Foto Ana Bastos

Outra experiência muito marcante foi a tradicional sauna coreana, tão presente no dia a dia local. E, claro, não podíamos deixar de passar por Gangnam, um nome incontornável para quem associa a Coreia do Sul ao universo do K-pop.

Em Seoul, a visita guiada à DMZ é uma das experiências mais procuradas na Coreia do Sul.
Visita guiada à DMZ / Foto por Ana Bastos

Ainda em Seul, a visita guiada à DMZ (Zona Desmilitarizada) é uma das experiências mais procuradas na Coreia do Sul, não só pela importância histórica, mas também pelo impacto que tem em quem a vive. Ao longo do percurso, conseguimos perceber melhor a divisão entre as duas Coreias e compreender de que forma essa realidade continua a marcar o dia a dia dos sul-coreanos. Entre aldeias abandonadas, pensadas para uma possível reunificação, e túneis construídos pelos norte-coreanos na década de 1970, a visita acaba por provocar um verdadeiro choque cultural, mostrando que este conflito continua a deixar marcas muito presentes ainda hoje.

Jeju: a ilha que nos conquistou

Se não tivéssemos visitado Jeju, ter-nos-íamos arrependido. Mesmo tendo passado apenas dois dias na ilha, sentimos logo que merecia mais tempo. A paisagem, a tranquilidade e a identidade própria de Jeju fizeram dela um dos pontos altos da viagem.

A paisagem, a tranquilidade e a identidade da Ilha de Jeju.
Ilha de Jeju, Coreia do Sul / Foto por Ana Bastos

Entre as estátuas típicas, a aldeia histórica de Seongeup, as praias de areia preta e branca e a atmosfera mais relaxada, a ilha tem um encanto muito especial. No entanto, o que mais nos impressionou foi o universo das Haenyeo, as mergulhadoras tradicionais que recolhem frutos do mar. A sua história, o peso cultural que têm na ilha e o facto de esta profissão estar a desaparecer pelo alto risco tornaram esta experiência especialmente marcante. Para preservar a sua história e importância cultural, Jeju conta também com um museu dedicado a estas mulheres extraordinárias.

Como o nosso tempo era limitado, optámos por explorar o lado leste de Jeju, uma solução prática para quem tem poucos dias e não dispõe de carro. Além disso, para quem gosta de K-dramas, a ilha torna-se ainda mais especial, já que serviu de cenário a várias séries.

Busan: mar, cultura e um templo inesquecível

Busan surpreendeu-nos pela diversidade. No entanto, houve um local que se destacou claramente: o Templo Haedong Yonggungsa. Foi, sem dúvida, o templo budista mais bonito que visitámos na Coreia do Sul.

Templo Haedong Yonggungsa, Coreia do Sul / Foto Ana Bastos

A localização à beira-mar torna este lugar ainda mais impressionante. Entre escadarias, estátuas budistas, pontes e o oceano ao fundo, é muito fácil perdermo-nos ali durante horas. Além disso, a entrada é gratuita, embora o respeito pelo espaço seja essencial.

Outro ponto imperdível em Busan é a Aldeia Cultural Gamcheon, conhecida pelas casas coloridas e pelo seu peso histórico. Hoje é um dos espaços mais fotografados da cidade, mas continua a guardar uma forte ligação ao passado.

Aldeia de Gamcheon / autor ST_Travel / Shutterstock

Gyeongju: uma viagem no tempo

Gyeongju ofereceu-nos um ritmo diferente do resto da viagem. É uma cidade mais pequena e mais tranquila, ideal para quem procura uma experiência mais calma e autêntica.

Entre o Palácio Donggung e Lago Wolji, o Parque dos Túmulos Daereungwon e a Aldeia Tradicional Gyochon, sentimo-nos realmente a viajar no tempo. Há uma atmosfera histórica muito forte em Gyeongju, que a distingue claramente das grandes cidades do país.

Chegar a Gyeongju é bastante simples, já que a cidade tem boas ligações de comboio a partir de Busan ou Seul. Uma vez no destino, os transportes públicos são menos frequentes do que nas grandes cidades, mas funcionam de forma organizada e acabam por responder bem às necessidades de quem visita.

Casas tradicionais coreanas, conhecidas como Hanok.
Casas tradicionais coreanas, conhecidas como Hanok / Foto por Ana Bastos

Para tornar a experiência ainda mais especial, recomendamos ficar alojado num hanok, uma casa tradicional coreana. É uma forma simples, mas muito eficaz, de sentir mais de perto a cultura local.

Gastronomia: uma descoberta constante

A gastronomia foi, talvez, um dos aspetos que mais nos tirava da zona de conforto. Ainda assim, a Coreia do Sul conseguiu surpreender-nos pelos sabores únicos.

O Korean BBQ foi o grande favorito. A experiência de grelhar a carne à mesa, normalmente acompanhada por kimchi e outros complementos, tornou-se rapidamente um dos nossos momentos preferidos. Além disso, pratos como kimbap, tteokbokki e frango frito coreano são muito populares e ajudam a perceber a riqueza da culinária local.

Também não podia faltar o soju, a bebida típica do país, que provámos em combinação com cerveja, no famoso somaek.

Dicas práticas para viajar na Coreia do Sul

Para cidadãos portugueses, a entrada na Coreia do Sul exige passaporte com validade superior a seis meses. No caso de estadias de curta duração, inferiores a 90 dias, os portugueses encontram-se temporariamente isentos da K-ETA até ao final de 2026. Ainda assim, continua a ser necessário preencher o cartão de chegada com os dados do passaporte, as datas da viagem e as informações sobre a estadia, incluindo o local onde iremos ficar. Para permanências iguais ou superiores a 90 dias, continua a ser necessário visto de entrada.

Pagamentos e dinheiro local

A Coreia do Sul surpreendeu-nos muito pela organização e pela facilidade de adaptação. Em vários aspetos, fez-nos lembrar a Europa: um país limpo, seguro, organizado e fácil de percorrer.

Os pagamentos são feitos sobretudo com cartão. Ainda assim, vale a pena ter algum dinheiro em numerário, já que pode fazer falta em mercados de rua ou para carregar o cartão de transportes.

A moeda local é o won.

Língua e comunicação

A língua pode ser um pequeno desafio, porque nem todos os coreanos falam inglês.

No entanto, isso raramente se torna um problema. Gestos, algumas palavras básicas e aplicações de tradução ajudam bastante e acabam por resolver quase tudo.

Melhor altura para visitar a Coreia do Sul

Quanto à melhor altura para visitar o país, primavera e outono parecem-nos as estações mais agradáveis, graças às temperaturas amenas e às paisagens particularmente bonitas.

No verão, o calor é intenso e húmido. Já no inverno, as temperaturas podem ser negativas e há possibilidade de neve.

Transportes e deslocações

Para explorar as cidades, a opção mais prática passa pelos transportes públicos, como metro e autocarro.

Ainda assim, também é possível recorrer a táxis e aplicações de transporte, o que pode facilitar bastante algumas deslocações.

Cartão T-Money

O cartão T-Money revelou-se essencial durante a viagem.

O cartão T-Money revelou-se essencial durante a viagem.
Cartão T-Money, Coreia do Sul / Foto por Ana Bastos

Pode ser usado em metros, autocarros, táxis e até em algumas lojas de conveniência. Por isso, ter algum dinheiro local à mão faz mesmo diferença, sobretudo para o carregar com facilidade.

Aplicações úteis para navegar

Na navegação, a aplicação que mais nos ajudou foi o Naver Map.

Sobretudo porque o Google Maps tem funcionalidades limitadas na Coreia do Sul, esta acabou por ser uma ferramenta indispensável para nos orientarmos com mais facilidade ao longo de toda a viagem.

Uma viagem que vale mesmo a pena

Depois desta viagem, ficou-nos a certeza de que a Coreia do Sul é muito mais do que imaginávamos antes de partir. Entre cidades vibrantes, tradições bem vivas, paisagens marcantes e experiências que nos fizeram sentir dentro de um K-drama, este foi um destino que nos surpreendeu a cada etapa. Se também sonha com uma viagem que mistura cultura, modernidade, história e descoberta, talvez esteja na altura de começar a planear a sua próxima aventura na Coreia do Sul.

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