Costa Rica em 10 dias: roteiro de Pura Vida entre selva e praia
Esta viagem de 10 dias na Costa Rica mostrou-nos um país de biodiversidade excecional e de uma filosofia muito própria: a famosa Pura Vida. Mais do que uma expressão, sente-se ali uma forma de estar, simples, positiva e profundamente ligada à natureza.
Ao longo desta rota, de San José ao Panamá, cada dia trouxe pelo menos uma descoberta única. Entre parques nacionais, praias paradisíacas e paisagens muito diferentes entre si, a Costa Rica conquistou-nos com facilidade, graças a um equilíbrio muito feliz entre aventura, diversão e relaxamento.
A própria relação do país com a natureza ajuda a explicar esse encanto. A Costa Rica é muitas vezes destacada pelas suas políticas de reflorestação e pela proteção de uma parte significativa do território, através de parques nacionais e reservas biológicas. Essa visão ecológica faz-se sentir ao longo da viagem, sobretudo na diversidade de flora e fauna que nos acompanha em quase todas as etapas.
San José: o nosso ponto de partida pela Costa Rica
Aterrámos em San José e instalámo-nos no confortável Barceló San José, onde a piscina foi o cenário ideal para recuperar energias. Foi uma chegada suave, perfeita para entrar aos poucos no ritmo do país.

À noite, seguimos a recomendação do staff e fomos ao icónico La Terraza, um bar-restaurante de três pisos no coração da cidade, mesmo ao lado do Parque Central. No rés-do-chão, encontrámos pratos locais como pollo empanizado com papas. No segundo piso, o ambiente mudava com o karaoke. Já no topo, a energia crescia com a música e os ritmos costa-riquenhos. A esplanada, com vista para a Avenida Central, foi uma excelente introdução ao movimento urbano de San José.
Manuel Antonio: entre parque nacional e praia
Partimos de San José de autocarro para Manuel Antonio e, numa paragem pelo caminho, provámos a primeira espetada de porco na brasa. Foi uma das nossas experiências mais autênticas até aí, tanto pelo local remoto como pela simplicidade do momento. Isso acabou por se traduzir numa iguaria de apenas 0,70 cêntimos.

À chegada, fomos recebidos pelo primeiro grande sinal da fauna local: uma iguana macho avistada na varanda de um café. Era apenas o começo. O Parque Nacional Manuel Antonio, com 1.983 hectares na costa do Pacífico, combina floresta tropical húmida, manguezais e praias de uma beleza sem igual, como a Playa Manuel Antonio (areia branca, águas turquesas e protegida por recifes) e Espadilla Norte, que abriga mais de 109 espécies de mamíferos (macacos-capuchinhos, preguiças-de-três-dedos), 197 espécies de aves e iguanas verdes comuns, acessíveis por vários trilhos – uma zona rica em biodiversidade.
A visita terminou precisamente na praia privativa de Manuel Antonio. Entre areia branca, águas claras e palmeiras, encontrámos um daqueles cenários que ficam gravados na memória.
Monteverde: floresta nublada e vida selvagem à noite
A viagem até Monteverde foi mais longa e sinuosa, mas também muito bonita. O verde intenso da paisagem acompanhou-nos quase todo o caminho – foi algo atribulado pelas várias horas de curvas, mas como não há caminho sem pedras, este veio a revelar-se numa das melhores viagens de quatro rodas que já fizemos.

Na Reserva Bosque Nuboso (10.500 hectares), encontrámos pontes suspensas, trilhos rodeados de vegetação densa e uma enorme variedade de espécies. Entre orquídeas, quetzais e outras raridades, a sensação era a de entrar numa Costa Rica ainda mais húmida, misteriosa e viva.
O ponto alto da viagem foi o night tour no Kinkajou Night Walk, uma experiência inesquecível em plena selva tropical da Costa Rica. Equipados com lanternas de visão noturna, tivemos a oportunidade de observar cobras venenosas, tarântulas gigantes e escorpiões luminescentes – espécies noturnas que permanecem praticamente invisíveis durante o dia. À medida que a noite avançava, os sons intensos da floresta tropical criavam uma atmosfera única e absolutamente fascinante.
La Fortuna: vulcão, cascatas e termas
Seguimos depois para La Fortuna, uma vila quente situada aos pés do imponente Arenal Volcano, um dos vulcões mais emblemáticos da Costa Rica, inativo desde 2010. Foi aqui que provámos o nosso primeiro “casado” numa soda acolhedora (um restaurante familiar, equivalente à tasca portuguesa). Entre arroz, feijão, proteína e batatas fritas, este prato simples e reconfortante revelou-se uma excelente introdução aos sabores tradicionais costa-riquenhos.

Fizemos um trilho até às cascatas La Fortuna, com a sua queda de água de 70 metros, e essa caminhada foi também uma boa oportunidade para conhecer outros viajantes. Mais tarde, ao contornar a zona do vulcão, voltámos a sentir aquela surpresa constante que a paisagem costa-riquenha provoca.
Um dos momentos mais especiais aconteceu no contacto com os Maleku, povo indígena que nos mostrou um pouco do seu dialeto, das casas tradicionais e até um licor caseiro. O dia terminou nas termas, onde as piscinas naturais quentes dissiparam o cansaço e nos deixaram prontos para continuar a viagem.
Puerto Viejo e Bocas del Toro: o lado caribenho da viagem
Em Puerto Viejo de Talamanca, ficámos no Namu Garden Hotel e explorámos a Playa Cocles. Depois de vários dias intensos, soube muito bem regressar a uma praia com esta energia: ondas boas para surfistas, energia jovem que quase faziam inveja a Copacabana e palmeiras sob um céu que ameaçava ser chuvoso mas não o foi.

Foi também aqui que divertimo-nos num slackline (fazer equilíbrio sobre uma corda ou fita suspensa) e conhecemos um casal de argentinos com quem partilhámos um pouco de mate (a infusão argentina mais popular) enquanto conversámos a ver o pôr do sol.
Depois, atravessámos a fronteira rumo ao Panamá. A viagem foi longa e exigente, sobretudo por coincidir com o período do Thanksgiving, tornando a passagem tudo menos simples. Ainda assim, cada uma das 5h valeu a pena assim que chegámos a Bocas del Toro. Entre águas cristalinas e paisagens tropicais, o destaque foi Red Frog Beach, uma praia praticamente intocada na Isla Bastimentos, onde a areia dourada e o ambiente remoto criam o cenário perfeito para desligar do mundo e mergulhar no ritmo descontraído das Caraíbas
Porque a Costa Rica surpreende tanto
Por fim, regressamos a San José com pouca vontade de voltar a Portugal. É quase como se tivesse saudades de casa, mas não tivesse pressa de voltar. Este destino provou-me que viajar sem preocupações e slow paced abre portas para sermos surpreendidos e valorizarmos cada momento.

Além disso, este é um país que consegue equilibrar muito bem a natureza preservada e a experiência de viagem. A filosofia Pura Vida não ficou apenas nas palavras. Sentimo-la na forma como os lugares se revelam, nos encontros inesperados e no ritmo mais leve com que tudo acontece.
Uma viagem de 10 dias na Costa Rica permite combinar diferentes paisagens e ambientes, mas convém aceitar que as deslocações fazem parte da experiência. Por isso, vale a pena planear bem o percurso e deixar espaço para imprevistos e descobertas pelo caminho.
Voltámos com saudade e com a sensação de que ainda ficou muito por ver, principalmente vida animal. Talvez seja esse o melhor sinal de uma boa viagem: a vontade real de regressar!