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Crónicas de Viagens – Açores por Elisabete Silva

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Açores, o sitio onde nos sentimos em casa

Depois de viajar para os Açores tive a certeza do local onde poderia passar o resto dos meus dias. Visitei várias ilhas, todas diferentes, todas autênticas e especiais.

A minha favorita é a ilha do Pico. Situada na zona central é uma das mais pacatas. Quando aterrei no pequeno aeroporto deparei-me com a montanha mais alta de Portugal. É de uma grandeza e presença inexplicável. Em contraste com o escuro cone vulcânico de basalto veem-se os campos de um verde que só os Açores podem mostrar.

As vacas tresmalhadas estão por todo lado, caminham em liberdade e não se importam que lhes tiremos fotografias. Quase que temos de lhes pedir por favor para se levantarem da estrada para podermos passar, e é com cada hora de ponta! Dos moinhos vermelhos, às vinhas rasteiras, aos inúmeros trilhos verdejantes, no Pico encontrei uma sensação de harmonia com tudo o que nos envolve. Tive a oportunidade de subir ao Pico e digo-vos que todo o suor e dor de músculos valeu a pena. Lá em cima senti a pequenez das nossas preocupações e a imensidão do nosso lar. Lá em cima parece ser possível tocarmos nas nuvens. Senti, acima de tudo, liberdade e gratidão pelo belo que os meus olhos viam.

E em relação ao mar? Não sei em relação a vocês, mas eu sempre quis ver os “gigantes” do mar, aqueles que vimos na BBC ao domingo desde que me lembro. Ali tive a oportunidade de ver seres que nunca pensei ver para além dos ecrãs: baleias-corcundas, cachalotes, golfinhos-pintados a fazer acrobacias e até orcas! As aves marinhas também abundam, é um oásis de vida e de pureza.

A comida é maravilhosa, desde os sabores do mar (livrem-se de não provar as lapas grelhadas) aos vinhos e licores. O licor de amora é o meu favorito, tão doce que dá vontade de mastigar. É aqui que ainda se pesca atum de uma maneira muito artesanal, a pesca com cana de salto e vara. Este é um tipo de pesca muito sustentável e com certificado “Dolphin safe”.

Depois temos as pessoas, basta trocar meia dúzia de palavras que damos por nós algures numa adega a provar licores e a comer queijos. No Pico tratam-nos como família, talvez por causa do isolamento, dos invernos rigorosos ou somente por serem assim, bondosos e acolhedores. A verdade é que ali nunca me senti sozinha.

As outras ilhas também são incríveis, desde a serenidade da Graciosa (o seu nome faz jus à realidade acreditem), às lagoas de São Miguel e à marina cheia de memórias do Faial. No Faial, realço também a zona de Porto Pim. Ali há uma pequena baía de água calma e cristalina e, ainda, um cafezinho com iguarias locais e simpatia maternal.

Se são adeptos de turismo da natureza, locais serenos e com boa gente rumem aos Açores! Entre maio e junho há uma série de festas locais (pelo menos no Pico e no Faial) onde as ruas são preenchidas com tapetes de flores, oferecem sopas e há muita alegria. Nos Açores, os problemas ficam mais pequeninos, o silêncio conforta, pensam menos e sentem mais. Há uma energia nestas ilhas que não consigo, por mais que tente, descreve-la em palavras. É preciso lá ir. Vão e depois digam lá se eu não tinha razão!

 

Texto e imagens: Elisabete Silva

(Vencedora da edição de junho)

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