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Peru em 10 dias: o itinerário que me fez apaixonar por este país

Leonor Pombo Silva / Atualizado a

Aos olhos dos nossos especialistas, nenhum destino marcante passa despercebido. Descubra a experiência da especialista Leonor Silva numa viagem de 10 dias pelo Peru, um país onde a história, a natureza, a gastronomia e as paisagens andinas se cruzam de forma única e inesquecível. Artigo da especialista Leonor Silva.

Há destinos que idealizamos durante anos. No entanto, nem sempre correspondem às expectativas quando finalmente os visitamos.

Com o Peru aconteceu exatamente o contrário.

As minhas expectativas já eram elevadas e, ainda assim, o país conseguiu surpreender-me em vários momentos. Ao longo de 10 dias, encontrei paisagens de cortar a respiração, sabores intensos, tradições preservadas ao longo de séculos e pessoas que demonstram um enorme orgulho na sua cultura.

Além disso, esta viagem recordou-me várias vezes como o mundo é muito maior, mais diverso e mais fascinante do que imaginamos.

Durante este itinerário pelo Peru, percorri algumas das regiões mais emblemáticas do país, desde Lima até Cusco, passando pelo Vale Sagrado dos Incas, pela Lagoa Humantay e pelo impressionante Machu Picchu.

Se está a planear uma viagem ao Peru, este itinerário pode servir de inspiração para descobrir alguns dos locais mais fascinantes da América do Sul.

Peru em 10 dias: o itinerário que me fez apaixonar por este país
Foto de Leonor Silva

Lima: a porta de entrada para o Peru

Aterramos em Lima às 4h15 da manhã, depois de cerca de 15 horas de viagem.

Estávamos cansadas? Sem dúvida.

Dormir? Nem pensar.

Como tínhamos apenas alguns dias no país, decidimos aproveitar cada momento e começámos imediatamente a explorar a cidade através de um free tour pelo centro histórico.

Durante a visita, passámos pela Plaza San Martín, conhecida pelos seus elegantes edifícios neocoloniais. De seguida, percorremos a Jirón de la Unión, uma das ruas mais emblemáticas da cidade, onde até as grandes marcas internacionais são obrigadas a utilizar letreiros pretos e dourados, uma exigência associada à preservação do centro histórico de Lima, classificado como Património Mundial pela UNESCO.

Por fim, chegámos à Plaza de Armas. Embora estivesse parcialmente encerrada devido a uma manifestação, ainda conseguimos admirar a sua imponência e conhecer melhor a história da fundação de Lima.

Para terminar o passeio da forma mais peruana possível, brindámos com três pequenos copos de pisco. Afinal, quando viajamos, também devemos abraçar as tradições locais.

Peru em 10 dias: o itinerário que me fez apaixonar por este país
Foto de Leonor Silva

Ceviche, mercados locais e um pôr do sol em Miraflores

Depois do tour, decidimos explorar Lima sem um plano definido.

Por isso, acabámos por entrar em vários mercados locais, onde tivemos a oportunidade de observar o quotidiano dos habitantes da cidade. Entre bancas coloridas, aromas intensos e vendedores simpáticos, fomos descobrindo uma Lima muito mais autêntica do que aquela que normalmente aparece nos guias turísticos.

Ao almoço, seguimos a recomendação de alguns peruanos e visitámos um restaurante local. Foi aí que provei, pela primeira vez, o verdadeiro ceviche peruano.

Além disso, experimentei também a tradicional causa limeña, um prato simples, mas cheio de sabor.

Ao final da tarde regressámos a Miraflores, onde estávamos alojadas. Como não poderia deixar de ser, terminámos o dia no Parque del Amor.

Enquanto o sol desaparecia lentamente sobre o Oceano Pacífico, o céu ganhou tons dourados e alaranjados que criaram um cenário inesquecível.

Foi, sem dúvida, a melhor forma de começar esta aventura pelo Peru.

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Foto de Leonor Silva

Pântanos de Villa, Chorrillos e Barranco: uma Lima menos conhecida

Como tínhamos um dia livre no itinerário, optámos por sair dos percursos mais tradicionais e descobrir uma faceta diferente da capital peruana.

Assim, começámos pelos Pântanos de Villa, uma reserva natural surpreendente localizada na zona sul de Lima.

Durante o passeio de barco, fomos navegando lentamente por canais rodeados de vegetação. Ao mesmo tempo, várias espécies de aves migratórias iam surgindo entre os juncos, criando um ambiente de enorme tranquilidade.

Foi precisamente aqui que percebemos que Lima não é apenas uma cidade histórica ou gastronómica. Existe também uma vertente natural que merece ser descoberta.

Mais tarde seguimos para Chorrillos, um dos bairros mais antigos da cidade. Além de proporcionar vistas panorâmicas sobre a costa, esta zona tem um forte significado histórico devido à Batalha de San Juan, um dos episódios mais marcantes da Guerra do Pacífico.

No entanto, foi em Barranco que encontrei o meu local favorito em Lima.

Conhecido como o bairro boémio da cidade, Barranco destaca-se pelos seus murais coloridos, galerias de arte, cafés independentes e ambiente criativo.

Praticamente todas as paredes parecem servir de tela para artistas locais.

Durante a visita, fomos desafiadas a atravessar a famosa Puente de los Suspiros sem respirar para fazer um desejo.

Embora pareça simples, a experiência revelou-se bastante divertida e quase terminei sem fôlego a meio do percurso.

Para encerrar o dia, juntámo-nos a amigos locais. Entre chilcanos, anticuchos e um espetáculo de danças tradicionais, vivemos uma das noites mais autênticas da viagem.

Sim, provei coração de vaca.

E sim, adorei.

Como se isso não bastasse, acabei também por ser chamada ao palco durante o espetáculo.

Uma experiência inesperada, mas que tornou a noite ainda mais memorável.

Peru em 10 dias: o itinerário que me fez apaixonar por este país
Foto de Leonor Silva

Cusco: onde o Império Inca continua vivo

Com apenas duas horas de sono, voámos para Cusco, a antiga capital do Império Inca.

À chegada, fomos recebidas com chá de coca, uma tradição local muito utilizada para ajudar na adaptação aos 3.400 metros de altitude.

Depois de algum descanso, dedicámos a tarde à descoberta de alguns dos locais arqueológicos mais importantes da região.

Começámos pelo Qorikancha, também conhecido como Templo do Sol. Outrora coberto de ouro, este espaço foi um dos locais mais importantes da civilização inca e encontra-se atualmente integrado no Convento de Santo Domingo.

Seguimos depois para Sacsayhuamán, um dos locais que mais me impressionou em toda a viagem. Além de me ter apaixonado por uma alpaca que por lá passeava tranquilamente, fiquei fascinada com as enormes muralhas construídas através de blocos de pedra perfeitamente encaixados.

Visitámos ainda Qenqo, conhecido pelo seu altar de mumificação, Tambomachay, associado aos rituais da água, e Puka Pukara, onde chegámos precisamente ao pôr do sol.

A luz dourada que iluminava o vale tornou este momento ainda mais especial.

Já durante a noite, tivemos oportunidade de visitar uma comunidade local dedicada ao trabalho artesanal com lã de alpaca, o que nos permitiu conhecer melhor uma das tradições mais importantes da região.

Vale Sagrado dos Incas: Chinchero, Moray, Maras e Ollantaytambo

Peru em 10 dias: o itinerário que me fez apaixonar por este país
Terraços moray no Peru / Julia Mountain Photo / Shutterstock

No dia seguinte começámos a explorar o coração do Vale Sagrado dos Incas.

Em Chinchero mergulhámos na cultura quéchua e conhecemos técnicas tradicionais de tecelagem que continuam a ser transmitidas entre gerações.

Mais tarde visitámos Moray, um impressionante complexo agrícola circular onde os incas realizavam experiências relacionadas com diferentes microclimas.

De seguida, chegámos às Salinas de Maras, um dos cenários mais surpreendentes da viagem. As centenas de tanques brancos espalhados pelas encostas criam uma paisagem única que continua a ser utilizada desde os tempos pré-incas.

Por fim, terminámos o dia em Ollantaytambo, onde explorámos o complexo arqueológico e percorremos as ruas e mercados locais.

No entanto, a aventura estava longe de terminar.

Quando chegou o momento de embarcar para Águas Calientes, começaram os problemas. Entre greves, pedras na linha ferroviária, comboios parados e temperaturas muito baixas, acumulámos cerca de três horas de atraso.

Como resultado, chegámos ao hotel já depois da uma da manhã, cansadas e completamente geladas.

Machu Picchu: tão mágico como dizem

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Machu Picchu / Paul1982Dutch / Shutterstock

O dia mais aguardado da viagem tinha finalmente chegado.

Apesar de todas as fotografias que já tinha visto, nada me preparou para o momento em que Machu Picchu surgiu diante dos meus olhos, envolto entre montanhas e nuvens.

É verdadeiramente um daqueles lugares que supera todas as expectativas.

Além disso, foi fascinante perceber que cerca de 80% das construções originais permanecem preservadas graças ao facto de a cidade ter permanecido escondida durante o período da colonização espanhola.

Ao longo da visita, aprendemos mais sobre a história desta cidade sagrada e sobre a forma como os seus habitantes viviam.

No entanto, o final do dia trouxe novos desafios.

As greves continuavam a afetar a região e Águas Calientes ficou temporariamente isolada. Durante várias horas ninguém conseguia entrar ou sair da localidade.

Depois de muita espera e de momentos de grande confusão na estação, conseguimos embarcar no único comboio que saiu naquele dia.

Foi aí que percebemos que, apesar de todos os contratempos, tínhamos tido muita sorte.

Cusco sem pressas e a decisão de não subir Vinicunca

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Cusco, Peru / Boris Stroujko / Shutterstock

Originalmente, o plano incluía uma visita à famosa Montanha Colorida, também conhecida como Vinicunca.

No entanto, decidimos alterar o itinerário.

Depois de vários dias intensos, poucas horas de sono e muitos quilómetros percorridos, percebemos que continuar a desafiar a altitude não seria a melhor opção. Afinal, Vinicunca encontra-se a cerca de 5.000 metros acima do nível do mar e exige um esforço físico considerável.

Por isso, optámos por fazer algo igualmente valioso: desacelerar.

Esta decisão permitiu-nos aproveitar Cusco de uma forma diferente e descobrir alguns dos seus recantos menos conhecidos.

Durante o dia, cruzámo-nos com um habitante local que acabou por se tornar um guia improvisado. Graças às suas recomendações, visitámos o Museu Inka e ficámos a conhecer melhor a história das civilizações que marcaram esta região.

Além disso, sugeriu-nos um restaurante local onde provámos mais alguns pratos típicos da gastronomia peruana.

Ainda houve tempo para passear pelo Mercado de San Pedro, um dos mais emblemáticos de Cusco. Entre frutas exóticas, especiarias, artesanato e bancas de comida tradicional, encontrámos mais uma oportunidade para observar o quotidiano da cidade.

Por vezes, são precisamente estes dias sem grandes planos que acabam por proporcionar algumas das melhores memórias de uma viagem.

Lagoa Humantay: um dos lugares mais bonitos do Peru

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lagoa Humantay / Mitchel1019 / Shutterstock

A aventura seguinte começou ainda de madrugada.

Às 3h40 da manhã iniciámos a viagem em direção à Lagoa Humantay, um dos locais mais procurados por quem visita a região de Cusco.

Desta vez, optámos por fazer parte da subida a cavalo, sempre confirmando que os animais eram bem tratados e se encontravam em boas condições.

À medida que ganhávamos altitude, a paisagem tornava-se cada vez mais impressionante.

No entanto, nada nos preparou para o momento da chegada.

A Lagoa Humantay apresenta águas de um azul-turquesa intenso, rodeadas por montanhas cobertas de neve. O contraste entre as cores cria um cenário quase irreal.

Além disso, este é considerado um local sagrado para muitas comunidades andinas, razão pela qual existe um grande respeito pelo espaço e pela natureza envolvente.

Enquanto observávamos a lagoa, o céu começou lentamente a abrir. Pouco a pouco, as nuvens foram dando lugar às montanhas, revelando toda a grandiosidade da paisagem.

Foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes de toda a viagem ao Peru.

Awana Kancha e a despedida do Peru

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Cusco / Berzina / Shutterstock

O último dia da viagem trouxe-nos uma experiência mais tranquila, mas igualmente especial.

Visitámos Awana Kancha, um centro cultural dedicado à preservação das tradições andinas e à valorização dos camelídeos da região.

Ali convivemos de perto com alpacas, lhamas e vicunhas, aprendendo mais sobre as diferenças entre cada espécie e sobre a importância da lã na cultura peruana.

Além disso, tivemos oportunidade de conhecer melhor os processos tradicionais de tecelagem e produção têxtil.

Confesso que foi uma das manhãs mais felizes de toda a viagem.

Poucas horas depois regressámos a Lima.

No entanto, ainda havia tempo para uma última surpresa.

Fomos recebidas por amigos locais que nos levaram a provar aquilo a que chamam “comida da selva”. Entre sabores completamente diferentes daqueles que tínhamos experimentado até então, terminámos a viagem da melhor forma possível.

Arrisco mesmo dizer que foi uma das melhores refeições de toda a aventura.

Infelizmente, esse jantar marcou também a despedida do Peru.

No dia seguinte regressámos a Portugal com a bagagem cheia de recordações e a certeza de que este país nos tinha tocado profundamente.

Dicas práticas para viajar no Peru

Depois desta experiência, existem algumas recomendações que considero importantes para quem está a planear uma viagem ao Peru.

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Cusco / Beto Santillan / Shutterstock

Como lidar com a altitude

A altitude é um dos fatores que mais influencia a experiência de viagem, especialmente em locais como Cusco, Vale Sagrado, Lagoa Humantay ou Vinicunca.

Por isso:

  • Comece a viagem por Lima e suba gradualmente para zonas mais elevadas.
  • Experimente o tradicional chá de coca, frequentemente utilizado para aliviar os sintomas associados à altitude.
  • Evite esforços físicos intensos durante os primeiros dias.
  • Beba água regularmente, mesmo quando não sentir sede.
  • Procure descansar adequadamente antes de trilhos ou excursões exigentes.

O que levar na mala

O Peru apresenta diferentes microclimas ao longo do território.

Por esse motivo, recomendo:

  • Roupa em camadas.
  • Casaco quente para as noites em Cusco e no Vale Sagrado.
  • Calçado confortável para caminhadas.
  • Chapéu e protetor solar.
  • Óculos de sol.

Mesmo durante a estação seca, as temperaturas podem variar significativamente ao longo do dia.

Transportes no Peru

Durante a viagem utilizámos vários meios de transporte.

Em Lima, aplicações como Uber ou Cabify funcionam bem e oferecem uma alternativa prática aos táxis tradicionais.

Por outro lado, quem pretende visitar Machu Picchu deve reservar os bilhetes de comboio com antecedência.

Além disso, é aconselhável prever alguma margem de segurança no itinerário, uma vez que greves e interrupções nos transportes podem ocorrer.

Dinheiro e pagamentos

A moeda oficial é o sol peruano (PEN).

Embora os cartões sejam amplamente aceites em hotéis e restaurantes, continua a ser útil transportar algum dinheiro em espécie para mercados locais, pequenas lojas ou zonas rurais.

Além disso, as casas de câmbio em Lima e Cusco costumam apresentar taxas mais vantajosas do que os aeroportos.

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Cusco / Daniel Prudek / Shutterstock

Saúde e segurança

Durante toda a viagem senti-me segura.

Ainda assim, recomendo alguns cuidados básicos:

  • Consumir apenas água engarrafada.
  • Escolher locais movimentados para experimentar comida de rua.
  • Contratar seguro de viagem antes da partida.
  • Respeitar os períodos de descanso necessários para adaptação à altitude.

Melhor época para visitar o Peru

A estação seca, entre maio e setembro, costuma ser a mais recomendada para visitar Machu Picchu e realizar trilhos nos Andes.

Por outro lado, entre novembro e abril, a paisagem apresenta-se mais verde. No entanto, existe uma maior probabilidade de chuva e de alterações nos percursos turísticos.

Vale a pena visitar o Peru?

Sem qualquer dúvida.

Ao longo destes 10 dias, descobri um país de contrastes, onde a história, a natureza, a gastronomia e a cultura convivem de forma extraordinária.

Desde os bairros históricos de Lima até às montanhas andinas, passando por Cusco, pelo Vale Sagrado e por Machu Picchu, cada dia trouxe novas aprendizagens e experiências difíceis de esquecer.

Além disso, encontrei um povo acolhedor, orgulhoso das suas raízes e profundamente ligado ao seu património.

Foi precisamente essa autenticidade que tornou esta viagem tão especial.

Se procura um destino que combine aventura, cultura, paisagens impressionantes e experiências genuínas, o Peru merece um lugar na sua lista de viagens.

Ainda assim, se pudesse dar apenas um conselho, seria este: reserve pelo menos 12 dias para explorar o país com mais calma. Dessa forma, conseguirá absorver melhor cada experiência e lidar com eventuais imprevistos sem comprometer o itinerário.

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Leonor Pombo Silva

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