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Crónicas de Viagens – Tailândia por Mariana Sousa

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Três portuguesas no reino da Tailândia

Em novembro de 2018, três jovens mulheres do norte de Portugal concretizaram a mais acertada decisão do ano: duas semanas inesquecíveis de férias na Tailândia. Tínhamos em mente objetivos muito claros: apreender a cultura tailandesa e disfrutar das maravilhas naturais que víamos nas redes sociais. Gastámos cerca de 2.000 euros cada uma, já incluindo todos os custos associados a esta aventura, e nem por um instante nos arrependemos de o fazer.

Quando chegámos a Banguecoque, a primeira coisa que fizemos foi trocar dinheiro numa das lojas de câmbio que nos tinham recomendado, no aeroporto de Suvarnabhumi. Depois, foi fácil encontrar o transporte público até ao nosso hotel, que era bem no centro, e que nos permitiu começarmos imediatamente a explorar a cidade – mas não sem antes cobrirmos a pouca área de pele que estava à vista de protetor solar e repelente de insetos (por esta ordem).

Sentimos o choque do ar abafado e da correria das motas e dos Tuc-Tucs, que desobedeciam a todas as regras de trânsito que conhecíamos. Perdemo-nos na exuberância das cores e dos tons dourados dos templos em Wat Phra Kaew, Wat Pho ou Wat Prayurawongsawat, e maravilhámo-nos com as figuras imponentes dos budas, mas nem tudo correu como planeado.

É verdade, fomos enganadas logo à chegada, quando um condutor de Tuc-Tuc nos (des)informou, à primeira vista solícito, que o templo estava fechado para almoço e, em alternativa, sugeriu que lhe comprássemos uma visita guiada. Agora, passado mais de um ano, não consigo entender como fomos tão inocentes; mas a verdade é que acreditámos nele e pagámos o que nos pediu. Mais tarde apercebemo-nos que nem os templos estavam fechados, nem os preços eram fixos, porque tudo era negociável.

Nos arredores de Banguecoque ainda tivemos oportunidade de visitar um floating market” e um train market”. O primeiro pressupunha que nos deslocássemos de barco entre várias bancas de venda improvisadas nas margens de um rio, e o segundo era o ponto alto do turismo, um mercado em que os produtos estavam temporariamente expostos em cima de uma ferrovia, sendo retirados à pressa sempre que um comboio passava. Interroguei-me sobre a necessidade de escolher justamente aquele espaço, mas rapidamente me apercebi que os mercados normais não são tão instagramáveis e, consequentemente, não são tão atrativos. Comprámos lenços de seda e chapéus de palha, que nunca mais voltámos a usar.

A capital da Tailândia surpreendeu-nos pelos seus preços acessíveis, exceto na noite em que decidimos subir àquele que, dizem, é o bar ao ar livre mais alto do mundo, num terraço digno de Nova Iorque ou Xangai. Lá em cima, enquanto apreciávamos a vista, deparámo-nos com um funcionário que, aparentemente, estava incumbido de uma única função: tirar fotografias aos clientes com o telemóvel dos mesmos, enquanto garantia que a lanterna do seu telemóvel pessoal incidia nos “modelos”, assegurando o contraste perfeito mesmo durante a noite. Nunca tinha visto ninguém a fazer aquilo, mas a verdade é que ele nos tirou fotografias bonitas, ao ponto de darmos por bem gasto o dinheiro excessivo empregue em cocktails cujos nomes, de tão estranhos, já não me recordo.

Ao terceiro dia acordámos cedo a apanhámos o comboio para Ayutthaya, património mundial pela UNESCO, onde conseguimos negociar com um condutor de Tuc-Tuc uma visita aos principais pontos de interesse, quase todos templos, como o Wat Mahathat (onde está a famosa cabeça de um buda que, ao longo dos séculos, foi envolvida pelas raízes de uma árvore), Wat Chai Wattanaram, Wat Na Phra Men, Wat Phanan Choeng e Wat Phra Si Sanphet.

Ao início da tarde começou a nossa viagem de 13 horas num comboio. Tínhamos comprado o bilhete com antecedência: em segunda classe, é certo, mas numa carruagem com ar condicionado, que também não somos animais! Na verdade, eu fiquei na cama de cima de um beliche e consegui dormir a maior parte do tempo, por isso até considero a experiência positiva.

Às 4h da manhã chegámos a Chiang Mai. Pousámos as mochilas na receção do hostel, comprámos iogurtes no 7-Eleven mais próximo, trocámos de roupa na sala onde guardaram a nossa bagagem e, às 6h30, vieram buscar-nos para irmos ao Santuário dos Elefantes. A excursão incluía uma aula sobre elefantes asiáticos, que diferem dos africanos em muitos aspetos (sendo o mais óbvio o tamanho, porque os primeiros são bem mais pequenos). O nosso guia era extremamente divertido e parecia apaixonado pelos animais. Tivemos a oportunidade de os conhecer, de lhes dar bananas, de mergulhar em conjunto na lama e de os escovar na água límpida de um lago. E, ao fim de poucos minutos, também eu me apaixonei por eles, e por mim tinha ficado no parque o dia todo. São criaturas perfeitas e fascinantes, e pareceram-me felizes. Após as primeiras horas de convívio, o coração já não me cabia no peito.

Passámos os dois dias seguintes em Chiang Mai e nos arredores, visitando Doi Intanhon, mais templos e o mercado de domingo, onde comprámos souvenirs. Tivemos sorte, porque estava a decorrer o festival das luzes, onde acorrem pessoas de todo o país para lançar ao céu lanternas em balões de papel adornados com mensagens, orações e desejos. São milhares de pontinhos luminosos, a fazerem lembrar a nossa noite de São João, no Porto. E ainda tivemos tempo de ir a Chiang Rai (onde visitámos os famosos templos branco, negro e azul), depois de negociarmos uma boleia de 4h num Tuc-Tuc precário e termos temido pela nossa vida.

Voámos de Chiang Mai para Surat Thani, onde apanhámos um barco para Khao Sok Lake. Um autêntico paraíso natural, Khao Sok não tem “nada” e, por isso, tem tudo. Não tem rede de telemóvel nem Internet, não tem eletricidade à noite nem ar condicionado de dia, nem sequer casas de banho privadas nas cabanas onde dormimos. Mas tem um nascer do sol de todas as cores, animais felizes no seu habitat, e um lago sem fim onde mergulhar é um privilégio. E, à noite, quando todos dormem, podemos perder-nos no céu estrelado e, finalmente, encontrar-nos.

Os nossos últimos dias de viagem foram passados no sul, disfrutando das praias paradísicas de Railay Beach, de Krabi e das ilhas Phi Phi. O tom do mar é verde-esmeralda, mas transparente. A areia é macia e as pessoas são sempre simpáticas e disponíveis. Fotografámos macacos selvagens que nos roubaram o lanche, e ainda fomos a tempo de assistir a um combate de Muay Thai enquanto lambíamos, dos cantos da boca, restos de gelados tradicionais.

Vou recordar para sempre estas férias, o sabor delicioso do arroz frito e do Pad Thai, a chuva torrencial do penúltimo dia, precedida de um sol que queimava a pele, e a excelente companhia de duas amigas sem as quais esta aventura nunca teria sido vivida. E, mesmo que me quisesse esquecer, as incríveis fotografias que a Anaísa tirou não mo permitiriam. Obrigada Tailândia, espero voltar num futuro próximo, para explorar tudo o que ainda me falta descobrir.

O mundo é tão grande, mas há sempre tão pouco tempo…

 

Texto: Mariana Sousa

Imagens: Anaísa Pimenta

(Vencedora da edição de abril)

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