Nepal – Katmandu, Pokhara, e trekking no Evereste
O Nepal pode parecer pequeno no mapa quando esmagado entre dois gigantes como a China e a Índia, mas isso em nada define. Este país é casa de hindus e budistas, de doze etnias diferentes, e do ponto mais alto do mundo: o Evereste. Da caótica Katmandu, às montanhas majestosas, aos mosteiros – os centros vibrantes do budismo – nada falta aqui.

Esta viagem é difícil de descrever numa só palavra. Poderíamos dizer que é uma viagem de descoberta cultural, de aventura e natureza ou espiritual. A verdade é que o Nepal é tudo isto e é, precisamente, por isso que se torna num destino que eleva o ato de viajar para algo maior. Por isso, não se esqueça: coloque o Nepal – Katmandu, Pokhara, e trekking no Evereste, na sua lista de viagem.
Katmandu – muito mais do que um ponto de partida
A capital do Nepal é um desafio para os sentidos. Altamente povoada – não fosse o Nepal um dos países da Ásia com maior densidade populacional -, caminhar pelas ruas é intenso. Motas, vacas, buzinas, cheiros, música, tudo converge para criar uma atmosfera única. Pode demorar a entrar no ritmo, mas quando o fizer a curiosidade irá tomar conta do seu olhar.
Rumemos agora à praça Durbar, a praça mais importante da capital e um dos locais mais visitados, com séculos e séculos de história. Aqui o tempo parece que parou. Nesta praça, o sagrado e o profano coexistem em harmonia: entre templos, palácios e santuários, a vida quotidiana impõe-se através dos vendedores ambulantes que por ali circulam. Este complexo monumental faz parte do Património Mundial classificado pela UNESCO e quando aqui se chega percebe-se porquê.

Dica: reserve pelo menos dois dias completos para Kathmandu. A cidade é frenética, mas há uma beleza caótica em cada esquina, basta abrandar o passo.
Pashupatinath, Boudhanath e Swayambhunath, o lado espiritual de Katmandu
Pashupatinath
Comecemos por Pashupatinath. Este templo, construído na margem do sagrado Rio Bagmati, e dedicado ao deus hindu Shiva, é o templo hindu mais antigo e venerado do Nepal. Talvez por isso, o complexo principal do templo está reservado apenas aos hindus.
Ao visitar Pashupatinath, observe as cremações públicas que acontecem nos ‘ghats’ ribeirinhos, cada ghat dedicado a uma casta específica. Este é um ritual com uma grande importância para os Hindus, pois acreditam que ajudará o falecido a transcender e alcançar a libertação do ciclo de reencarnações.

Ir a Pashupatinath significa também conhecer os sadhus. Os sadhus são “pessoas santas” (normalmente reconhecidos por terem a cara pintada) que renunciam à vida mundana. A vida destes sábios é dedicada alcançar o mokṣa (libertação) através da meditação e da contemplação do Brahman. É possível encontrar sādhus um pouco por todo o país e, principalmente, na praça Durbar e em Pashupatinath (onde vivem).

Boudhanath
Por outro lado, temos Boudhanath. Este é um dos principais centros do budismo tibetano fora do Tibete e um dos locais mais visitados na capital nepalesa. Aqui, poderá encontrar uma das maiores stupas do mundo.
Este monumento não é apenas um monumento: é um espaço de comunidade, vivo, onde passado e presente se juntam. Aqui a espiritualidade continua a praticar-se de forma ativa. Por exemplo, uma das experiências centrais em Boudhanath é a prática da kora, que consiste em caminhar à volta da stupa no sentido dos ponteiros do relógio. Este ritual é realizado todos os dias por monges, peregrinos e locais. Durante a caminhada, muitos giram as “rodas de oração” (instrumento budista) e recitam mantras.
Swayambhunath
Por fim, Swayambhunath, popularmente conhecido como o “Templo dos Macacos”. Com mais de 2500 anos de história, este complexo no topo de uma colina é, para os newars, o local de peregrinação budista mais sagrado. No cimo, poderá encontrar a estupa central com os olhos de Buda pintados, observando os quatro pontos cardeais, mostrando assim que Buda vê tudo. Quanto aos macacos, poderá vê-los a passear pelo complexo e a fazer as delícias dos turistas. Segundo a crença local, estes animais são considerados sagrados e foram aqui colocados pelo deus da sabedoria Manjushri quando criou o vale de Katmandu.
Pokhara: o refúgio sereno entre lago e montanhas

Pokhara é muitas vezes descrita como a porta de entrada para os Himalaias e com razão. À beira do tranquilo lago Phewa, esta cidade (também conhecida como a Jóia dos Himalaias) oferece um dos cenários mais fotogénicos do Nepal, com reflexos perfeitos da Cordilheira de Annapurna sobre a água.
Pela sua beleza, passear pela marginal, fazer um passeio de barco até ao templo Tal Barahi ou simplesmente observar o pôr do sol são experiências que rapidamente se tornam memoráveis. Para ver o Annapurna ao nascer do sol, suba ao miradouro do Sarangkot antes das 5 da manhã. O espetáculo de luz que se desenrola sobre os picos nevados é algo que nenhuma fotografia consegue reproduzir na totalidade.
Everest Base Camp: o clássico dos trekkings himalaicos
O Everest Base Camp (EBC) é um dos trekkings mais icónicos do mundo, tanto pela altitude como pela intensidade do percurso. Começa em Lukla e sobe gradualmente até aos 5.364 metros de altitude.

O caminho atravessa florestas, pontes suspensas, aldeias Sherpa e trilhos rochosos, sempre com o Evereste e os seus vizinhos colossais no horizonte.
Quanto tempo demora?
O percurso tradicional dura 12 a 14 dias (começando em Lukla). Para quem é principiante este tempo não deve ser encurtado. Inclui paragens de aclimatização obrigatórias em Namche Bazaar e Dingboche, essenciais para o corpo se adaptar à altitude e para prevenir o mal de altitude.
Qual é a dificuldade real?
Apesar de não exigir experiência de montanhismo, o EBC os especialistas classificam-no como moderado a desafiante moderado, sobretudo devido ao ar rarefeito e ao risco de mal de altitude. Podemos concluir que a verdadeira dificuldade não está na técnica, mas na resistência física e mental, pois vai caminhar entre 5 a 7 horas por dia em terreno irregular, e acima dos 3.500 metros.
Circuito dos Annapurnas: a alternativa mais acessível e igualmente épica
Se o Everest Base Camp é o trekking mais famoso, o Circuito dos Annapurnas é, para muitos, o mais completo. Com 12 a 18 dias de duração e uma variedade impressionante de paisagens, de vales subtropicais a desertos de alta altitude, este percurso oferece uma experiência mais gradual e, para muitos viajantes, mais acessível.

O ponto mais alto é o lendário Thorong La Pass, a 5.416 metros. Ao contrário do EBC, a progressão é mais suave e distribuída ao longo de vários dias, o que facilita a aclimatização. Além disso, o circuito atravessa aldeias tradicionais Gurung e tibetanas, proporcionando um contacto cultural profundo e autêntico. É, por isso, uma rota ideal para quem quer um grande trekking himalaico sem a intensidade física e psicológica do EBC.
Com menos tempo disponível?
Por exemplo, o percurso de Ghorepani Poon Hill, que dá para fazer em 4 a 5 dias a partir de Pokhara, é uma excelente introdução aos Annapurnas.
Trekking com guia ou sem guia: o que diz a lei nepalesa
Esta é uma das perguntas mais frequentes de quem planeia ir ao Nepal. No entanto, a resposta curta é: tecnicamente, o guia é obrigatório na maioria das rotas. Já a resposta honesta é: a realidade no terreno tem mais nuances.

O que mudou em 2023
Em abril de 2023, o “Nepal Tourism Board” introduziu uma nova regra: todos os caminhantes estrangeiros em parques nacionais e áreas de conservação passaram a ser obrigados a contratar um guia licenciado. A regra aplica-se às rotas mais populares – Annapurna, Evereste, Langtang, Manaslu – e abrange trekkers a solo ou em grupo.
E o cartão TIMS?
Primeiramente, o que é o cartão TIMS? Este cartão funciona como um sistema de registo que permite às autoridades saber quem está a fazer trekking, qual a rota escolhida e quando entrou na área, o que é uma informação essencial para operações de busca e salvamento em caso de emergência. Ao contratar um guia, automaticamente trata do documento. Se não contratar, os documentos necessários são apenas as autorizações de entrada em cada área: o ACAP (“Annapurna Conservation Area Permit”) para os Annapurnas, e a autorização do Parque Nacional de Sagarmatha mais a taxa municipal de Khumbu Pasang Lhamu para o EBC.
No entanto, para sua segurança, contrate um guia especializado e certificado. Os guias nepaleses são profissionais bem treinados, falam inglês e são a sua melhor linha de defesa contra o mal de altitude que continua a ser o principal risco nestas rotas.

Em suma, o Nepal pode não ser o destino mais fácil, já que exige planeamento, preparação física e abertura de espírito, mas é exatamente por isso que quem lá vai raramente volta igual.
Na Top Atlântico, temos uma equipa especializada a organizar este tipo de viagens, para garantir que tem a melhor experiência antes e durante a sua viagem. Por isso, estamos à sua disposição para esta viagem ao Nepal, Katmandu, Pokhara, e trekking no Evereste.