Experiências / Voltas ao Mundo

Crónicas de Viagens – São Tomé e Príncipe por André Santos

Share this post

O País do Leve-Leve

Em novembro de 2019 rumei para sul. Mais precisamente para São Tomé e Príncipe. Na ânsia de fugir ao frio e à chuva, procurava um destino de céu azul e temperatura amena onde me pudesse perder.

Em São Tomé e Príncipe encontrei um país de sentidos onde a cada esquina e a cada curva somos inundados por um cheiro, um sabor ou uma visão que nos faz quedar naquilo que achamos sobre o mundo. Naquelas ilhas tudo é quente, e não falo apenas em termos meteorológicos. Os sorrisos são quentes, a disponibilidade das pessoas é calorosa e a simpatia dos são-tomenses um convite a ficar neste jardim perdido no Atlântico. Sempre, e para sempre.

Este paraíso a que chamam de São Tomé e Príncipe é constituído por duas ilhas que tive oportunidade de visitar: a primeira é São Tomé e a segunda a ilha do Príncipe: um éden a apenas 30 minutos de avião da capital São Tomé.

Em ambas as ilhas o olhar alterna entre o verde vivo da vegetação que nos envolve e o azul turquesa do mar e do céu que nos liberta. Através das curvas e contracurvas que encontramos ao longos destas ilhas vamos conhecendo um sem fim de pequenas aldeias e vilas onde a vida parece sorrir a cada batimento cardíaco. Destaco duas delas que gravei no coração.

A primeira é São João dos Angolares na ilha de São Tomé onde as crianças jogam à bola descalças na praia. Jogam de forma despreocupada pois aqui o tempo é para ser vivido. Sem pressões, sem algemas tecnológicas, sem relógios.

A segunda é Santo António na ilha do Príncipe, uma pequena cidade onde tudo acontece, mas sem entrar nos loucos corrupios das grandes metrópoles.

O lema deste país é viver Leve Leve, ou seja, deixar a vida correr calmamente sem pressas. E não é que funciona mesmo? Nós visitantes, somos obrigados a desligar o ritmo a que estamos habituados. E rapidamente percebemos que a felicidade está muitas vezes num raio de sol ou num mergulho no mar.

Portugal faz parte do ADN deste lugar. Aliás, foram 500 anos de história comum. Visíveis por exemplo nos edifícios coloniais do centro de São Tomé. A avenida Marginal – principal avenida da cidade – é um belo postal romântico. Salpicada por pequenos bancos de cimento junto ao mar, convida-nos a um belo passeio ao pôr-do-sol.

Como escrevi, a natureza é um sinónimo para este país. Aventurei-me para o sul à procura do Pico Cão Grande, um cume vulcânico imponente que surge no meio da vegetação e que corta o céu azul. Não é possível subir, mas só a paisagem nos convence a ficar.

São Tomé e Príncipe foi para mim também um lugar de sabores. Não de sabores artificiais ou fabricados, mas sim de sabores genuínos. Aqui aproveita-se o melhor que a natureza nos dá: do mar vem o melhor peixe e marisco que existe. Pescado na hora, vai à grelha à nossa frente. Assim não restam dúvidas quanto à frescura do mesmo. Da terra somos surpreendidos pelas saborosas frutas e legumes. A banana-Pão, a caja-manga, o cacau, o coco ou a fruta pão. O culminar desta viagem aos sabores autênticos foi sem dúvida uma ida à Roça São João dos Angolares. É o restaurante do mais famoso chef são-tomense, João Carlos Silva, que tão bem conhecemos da televisão. Pioneiro na exportação dos sabores de São Tomé para o mundo, o restaurante convence pelo festival de sabores que proporciona. Com uma vista deslumbrante sobre a ilha e o mar, uma refeição aqui é também um momento de degustação deste belo e saboroso país.

Para amantes de praia, São Tomé e Príncipe apaixona. Até os mais céticos e difíceis de convencer vacilam quando tem que voltar à realidade. Na ilha de São Tomé as opções são inúmeras: de norte a sul. Sempre desertas, pois o turismo ainda não está massificado neste canto do mundo. E ainda bem diria eu. A norte temos a Praia dos Tamarindos ou a Praia da Lagoa Azul. Praias especiais para quem fugir do mundo agitado que conhecemos. Mas foi a sul da Ilha de São Tomé que encontrei praias que parecem ter sido desenhadas pelos deuses. A praia Micondo, a praia Jalé ou a praia Inhame são paraísos impossíveis de apagar da memória.

A nenhum visitante pode faltar uma ida ao ilhéu das Rolas. A viagem pode ser longa, admito, mas acreditem que vale a pena. É um ilhéu fértil, paradisíaco, de gente bondosa, e onde o tempo foi suspenso. Não fosse o famoso resort que lá existe, diríamos que a natureza deste ponto de terra é intocável. É nele que passa a linha do Equador e onde nos podemos perder para mais tarde nos encontrarmos num delicioso almoço servido da paradísica Praia Café. Confesso-vos, viajantes intrépidos, que ainda hoje sonho com esse almoço.

Imaginem um paraíso tropical com mar de águas azuis e cristalinas, praias com palmeiras e montanhas vulcânicas pintadas de verde. Apresento-vos São Tomé e Príncipe.

 

Texto e imagens: André Santos

(Vencedor Edição de maio)

Artigos relacionados